

Em: 21/09/2016
Extraterrestres e nós
Sinto dizer, mas nós humanos não somos os escolhidos de um suposto deus para habitarmos o único planeta do universo a conter vida. Nada mais somos do que um dos frutos de três bilhões de anos de evolução! E destaco o termo “um dos frutos” para que não esqueçamos de que este planeta é habitado por uma fabulosa diversidade de espécies. Mas, na verdade, não quero falar disso neste momento. Quero falar da possibilidade de existirem seres extraterrestres, ou seja: de vida fora do planeta Terra.
Você acredita que possa existir vida em outros planetas? Não? Então vamos analisar alguns fatos. Pra começar, peço que esqueça o “PRÉconceito” de marcianos ou homenzinhos verdes. Pense inicialmente em “vida”. Organismos vivos. Qualquer organismo vivo. Organismos unicelulares, como bactérias ou protozoários (aqueles pequenos organismos que só podem ser vistos com a utilização de microscópicos). Mas, você pode imaginá-la também em qualquer forma que quiser, até mesmo como seres bípedes vagamente semelhantes a nós, por que não!? Só não imagine que, por serem de outros planetas, eles devam ser organismos altamente complexos, dotados de uma inteligência superior. A vida na Terra esteve restrita a organismos unicelulares durante 2/3 de sua história. Somente no último bilhão de anos é que surgiram organismos multicelulares. Somente nos últimos 300 milhões de anos houve vida no ambiente terrestre, já que até então, toda vida estava restrita ao ambiente aquático. Somente há cerca de 100 milhões de anos aves e mamíferos passaram a se tornar comuns no planeta. Somente há 5.000 anos deixamos as cavernas. Somente há 100 anos a energia elétrica começou a ser utilizada pelos homens. Peço desculpas se fui repetitivo em minha argumentação, mas muitas vezes perdemos a perspectiva histórica e esquecemos quão recente é nossa história de desenvolvimento tecnológico.
O que quero chamar a atenção, é que se pegarmos, ao acaso, qualquer momento da história na terra, a probabilidade de olharmos para a Terra como um planeta de vida selvagem, ou primitiva (numa visão chauvinista e antropocêntrica) é enorme. Portanto, imaginemos um extraterrestre altamente evoluído do ponto de vista tecnológico, explorando o universo. Se ele tiver visitado a Terra em qualquer período entre três bilhões de anos atrás e um milhão de anos atrás, este extraterrestre nem sequer teria visto humanos. Com isso quero mostrar que, da forma como a evolução ocorreu no nosso planeta, existe uma grande probabilidade de que, caso exista vida fora da Terra, ela possa não ser tão evoluída tecnologicamente.
Mas, acabei me precipitando, e avançando um pouco além do que pretendia neste início de texto. Primeiro pretendia explorar quais as chances de que exista vida fora da Terra. Parto do pressuposto de que você aceita a ideia de que a vida evoluiu neste planeta, a partir de reações químicas, que passaram a ser autoreplicativas. Em síntese, a vida em nosso corpo pode ser resumida a isto: um complexo de reações químicas, organizadas e programadas para que sejam mantidas indefinidamente, através da passagem de gerações. Ainda que você não aceite inicialmente este conceito, aceite (mesmo que por um instante) que a vida surgiu no planeta pela evolução de complexas reações químicas. Pois bem: se a vida surgiu neste planeta, não haveria motivos para não imaginar que ela pudesse se desenvolver, pelos mesmos processos, em outros planetas, correto!? Pelo menos, seria possível em planetas de constituição semelhante ao nosso.
Mas existem outros planetas como o nosso? O cientistas já encontraram alguns milhares corpos celestes que podem ser semelhantes à Terra (tamanho e distância em relação a um sol parecido com o nosso). O problema é que não temos certeza, já que eles estão MUITO distantes. Mas podemos imaginar a probabilidade de que quantos planetas podem existir no universo...
Finalmente cheguei onde estava querendo desde o início de nosso texto. Sabemos da existência de cerca de 300 bilhões de estrelas na galáxia onde vivemos. Nosso sol é uma estrela, como a maioria sabe, e cada sol tem uma boa probabilidade de conter planetas orbitando ao seu redor. Logo, somente na nossa galáxia há, com certeza, um planeta habitado: o nosso. Acho que todos concordamos que uma chance em 300 bilhões é um número bastante conservador. Mas vamos supor que o leitor seja muito cético, e considere que a chance de existir vida em um planeta em uma galáxia, é tão pequena quanto à de ganhar na mega-sena (aproximadamente uma chance em 50 milhões). Podemos aceitar isso, sem problemas. O fato é que o universo é bem maior que nossa galáxia... Na verdade existem pelo menos 100 bilhões de galáxias. Então, se imaginarmos de que a existência de vida em um planeta, em uma galáxia inteira é semelhante à de ganhar na mega-sena, ainda assim teríamos 6000 galáxias com um planeta com vida, em cada uma delas no universo! Olhe bem as probabilidades que estou propondo: de que uma estrela em cada 50 milhões de galáxias, cada uma contendo 300 bilhões de estrelas, possa conter um planeta em sua órbita, com vida. E ainda assim, temos 6000 locais com alguma chance de vida no universo. Mesmo com todas as probabilidades contra a existência de vida em outros planetas, a chance de haver vida extraterrestre é imensa! E isso, simplesmente porque o universo é imenso! E ainda não estamos nem perto de descobrir o quão grande ele é...
Então, se você acredita em evolução, não há motivos para não acreditar que possa existir vida em outros planetas. A não ser, que você imagine que um deus criou todo o universo para apenas em um pontinho insignificante, desta vastidão literalmente infinita, colocar vida. Já sabemos que existem 100 bilhões de galáxias com 300 bilhões de estrelas, o que significa que existem no mínimo algo como 3.000.000.000.000.000.000.000 (três setilhões de estrelas) no universo. Cada um destes sóis, provavelmente com planetas em sua órbita. Você acha mesmo, que não pode existir vida em alguns destes locais? Parafraseando o filme “Contato”, baseado no livro homônimo de Carl Sagan (o qual recomendo a todos) “isto seria no mínimo, um tremendo desperdício de espaço!”.
Texto: Carlos Benhur Kasper
Professor de Biologia
Unipampa São Gabriel





